Mãe de três filhos e estudante de enfermagem, jovem teve desejo respeitado pela família e transforma despedida em gesto de esperança
A história de B.R.A.S., de 28 anos, natural de Desterro, na região da Serra do Teixeira, é marcada por luta, sonhos e um gesto de amor que ultrapassou a própria vida. Vítima de um grave acidente de motocicleta no último dia 2 de abril, na cidade de Cacimbas, ela teve a morte encefálica confirmada após dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Deputado Jandhuy Carneiro, em Patos
Socorrida em estado gravíssimo, a jovem chegou à unidade hospitalar praticamente sem sinais vitais, sendo reanimada diversas vezes pela equipe médica. Apesar dos esforços, o quadro era irreversível. A confirmação da morte cerebral deu início a um dos momentos mais difíceis para a família mas também abriu espaço para a realização de um desejo que ela havia manifestado ainda em vida.
Filha única e mãe de três crianças, B.R.A.S. construiu uma trajetória de superação desde cedo. Criada no Sítio Panasco, na zona rural de Desterro, enfrentou as dificuldades da vida no campo trabalhando como agricultora. Mesmo diante dos desafios, nunca deixou de sonhar com um futuro melhor.
Determinada, decidiu buscar novas oportunidades na cidade e encontrou na área da saúde o seu propósito. Estudante de técnica de enfermagem, estava prestes a realizar um de seus maiores sonhos: a formatura, prevista para o próximo mês de junho. Para ela, cuidar das pessoas era mais do que uma profissão, era uma missão.
Durante o curso, passou a se interessar pela doação de órgãos e chegou a conversar com a família sobre o desejo de ser doadora. A vontade foi lembrada pela mãe no momento mais difícil e acabou sendo decisiva para a autorização do procedimento.
Mesmo diante da dor da perda da filha única, a mãe encontrou forças para respeitar esse desejo. O gesto permitiu a captação dos rins, fígado e córneas, que foram destinados a pacientes na Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, pessoas que aguardavam por uma nova chance de viver.
Para familiares, a decisão representa exatamente quem ela era em vida: uma pessoa alegre, sonhadora e sempre disposta a ajudar o próximo.
A doação também contribuiu para um dado importante no estado: esta foi a sétima captação de múltiplos órgãos registrada na Paraíba em 2026. Atualmente, 846 pessoas ainda aguardam por transplantes, sendo a maioria para córneas.
Entre a dor da despedida e o conforto de ajudar outras vidas, fica o legado de uma jovem que sonhava em cuidar de pessoas e que, mesmo após partir, conseguiu cumprir esse propósito de forma grandiosa.
Fonte: Teixeira em Foco

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